Nós escolhemos publicar este estudo que a DECO/PRO TESTE fez porque revela o que a televisão em Portugal faz em relação à publicidade, o tempo que esta é exibida e como maior parte é para incentivar as crianças a terem hábitos pouco saudáveis.
A DECO/PRO TESTE analisou a
publicidade na televisão durante uma semana e descobriu que, nalguns dias, a
SIC e a
TVI abusam do tempo máximo por hora de emissão. Mais: aquilo que as
crianças menos devem consumir é o que
mais passa nos anúncios.
Para verificar se a lei da televisão é cumprida e avaliar os anúncios sobre alimentação durante a programação infantil, entre 20 e 26 de Setembro último, a DECO/PRO TESTE visionou a emissão dos três canais nacionais de maior audiência (RTP1, SIC e TVI). Em termos de resultados globais, nenhum dos canais excedeu o tempo máximo permitido para emitir publicidade por dia. Já ao nível do tempo de
publicidade por hora a DECO/PRO TESTE registou várias situações em que o máximo (12 minutos) foi ultrapassado. Na
SIC, a lei foi
violada 39 vezes. Em seis casos, o tempo máximo foi ultrapassado em mais de um minuto.
“No caso mais grave, a publicidade ocupou mais de 16 minutos e meio numa hora”, denuncia a edição de Fevereiro da PRO TESTE.
Na
TVI, apesar de se terem detectado
34 períodos de uma hora em que
foram excedidos os 12 minutos permitidos, apenas uma vez o excesso foi mais significativo. Dessa vez, o tempo de publicidade foi superior a 15 minutos e meio. Embora emita mais tempo de publicidade globalmente, a TVI apresenta uma atenta repartição da mesma.
No período analisado, a
RTP1 atingiu quase
8 minutos de publicidade no
máximo, não violando a lei. Entre o seu tempo diário de emissão, a RTP1 foi o canal que emitiu menos publicidade (9%).
O sector da
alimentação e
bebidas é o que tem
maior peso na publicidade. Durante a
programação infantil,
este tema representa quase
metade do total de
anúncios no conjunto dos três canais.
Anúncios
demasiado doces e
gordos, denuncia a DECO/PRO TESTE
Durante a
programação infantil, a maioria dos
anúncios mostra
bolos,
bolachas,
cereais de pequeno-almoço açucarados e
aperitivos salgados. Todos estes
produtos são ricos em
açúcar,
gordura ou
sal. Ou seja, parte significativa da publicidade é dedicada a produtos que, numa dieta alimentar saudável e equilibrada, devem ser consumidos com moderação.
Para promover os produtos, são usadas algumas
estratégias, como
brindes,
desenhos animados e a
imagem da mãe. Por exemplo,
um terço dos anúncios recorre a
desenhos animados. É o caso de alguns
cereais de pequeno-almoço. “Num terço dos anúncios, a mensagem nutricional pode ser mal interpretada e levar a
comportamentos errados”, revela a revista dos consumidores. Tal
ocorre com a
Sunquik,
Um Bongo,
Kinder,
Pescanova,
Phoskitos,
Cola Cao e
Nestlé. A
figura da mãe,
família ou
escola aparece em quase
um quinto dos anúncios e inclui as marcas
Kinder, Sunquik, Phoskitos, Um Bongo e
Nestlé. A estratégia é a
mãe aprovar e recomendar estes produtos às crianças.
Apesar de menos publicitados, durante a programação infantil, a DECO/PRO TESTE encontrou anúncios a produtos, como iogurtes e queijos. Já os anúncios que
encorajem o consumo de fruta,
vegetais e peixe são inexistentes.
O excesso de anúncios sobre alimentos de alto teor energético é classificado entre os factores de risco para a obesidade pela Organização Mundial de Saúde. E os
adolescentes portugueses, com destaque para as raparigas, encontram-se entre os
mais gordos da Europa.